Todo município deve ter sua bandeira. É um símbolo que identifica e deve, sobretudo, representar a história e a cultura local. Durante o período da Ditadura Militar é instituída oficialmente a bandeira de Itabaiana, por meio da Lei Nº 490, de 10 de maio de 1977, decretado pela Câmara Municipal de Vereadores e sancionada pelo prefeito Antônio Teles de Mendonça. A lei é composta por quatro artigos. No primeiro fica instituída a Bandeira do Município, ou seja, ela torna-se símbolo municipal oficial. Os dois parágrafos únicos dos primeiros capítulos dão a seguinte a descrição: “terá listas horizontais a cores azuis, amarelo, verde e branco” e “O distintivo de que trata o “caput” deste artigo será representado por um livro aberto, um arado e o fogo simbólico da Pátria.”

Assim, a bandeira de Itabaiana tem as mesmas cores do pavilhão nacional e estadual, representando a integração do município à ordem nacional e estadual, hierarquicamente superiores. Por tanto, as cores são as mesma que a da bandeira nacional, já a formatação é mais aparentada com o símbolo estadual. O grande diferencial da bandeira municipal está no distintivo, situado na parte superior do lado esquerdo, ocupando parte das listas verde e banco. Dentro temos quatro elementos: um livro aberto, um arado e a tocha com o fogo simbólico da pátria e o nome do município. Examinemos cada um:

1.      O livro aberto representa o saber (educação e cultura). É um elemento que associa a terra à ideia iluminista de terra que se preocupa com a educação. O conhecimento é colocado como base para o desenvolvimento e civismo. É dos quatro elementos o mais destacado. Curiosamente, nos final dos anos 70 Itabaiana despontava no campo educacional com o Colégio Estadual Murilo Braga, a principal instituição de ensino do interior sergipano, naquela época um colégio regional e destacado no cenário educacional estadual. Em 1977, a esmagadora maioria dos itabaianenses eram analfabetos ou semi-analfabetos. Pode parecer um paradoxo, mas o que se representa com o livro aberto é a expressão de uma minoria (urbana de classe média) que consegue a escolarização e aprovação nos cursos do ensino superior.  Esses homens e mulheres tornar-se-ão importantes personalidades da vida social, muito dos quais não voltarão à terra natal por questões profissionais. O livro está em branco com contornos na cor azul.

2.      Um arado representa o trabalho e as atividades econômicos. O arado é o símbolo das condições materiais de existência. A base econômica local era a agricultura, porém a presença do gado é marcante na história local desde tempos idos. O instrumento agrícola rudimentar é de certa forma uma prova inequívoca do atraso tecnológico por um lado e por outro se evoca as mãos que trabalham. O arado pode também simbolizar o povo trabalhador que transforma a natureza e o saber em riquezas por meio da energia e do vigor das mãos e da força animal. O arado tem a cor vermelha com contornos na cor azul.

3.      A tocha com o fogo simbólico da pátria é o símbolo que mais denota o amor ao civismo e nacionalismo. O fogo, companheiro do homem desde a pré-história, nos tempos modernos passou a ser cultuado durante as Olimpíadas. Esse elemento era tido por sagrado nas antigas culturas. Durante a Ditadura Militar (1964-1985) é aprovada a ideia de valorização do fogo como elemento simbólico. É decidido que o símbolo receberia a denominação de Fogo Simbólico da Pátria e que deveria percorrer o Território Nacional, em peregrinação cívica.  Em 1972, durante as comemorações do sesquicentenário da nossa Independência, partiram quatro Chamas dos quatro pontos extremos do Brasil, em rotas distintas, para se fundirem numa só Chama Sagrada, no dia 7 de Setembro, no Monumento do Ipiranga, em São Paulo, histórico local do Grito da Independência. Assim, o fogo é lembrado pelos vereadores e prefeito municipal como uma prova de subserviência à ordem vigente e aos valores cívicos da Ditadura. O fogo tem a cor vermelho com contornos na cor azul.

4.      O nome “ITABAIANA-SE”. Sobre o nome é dos elementos o de mais fácil explicação. O nome serve para designar o município. Serve para não ser confundido com outro. O “SE” é a sigla do estado de Sergipe, pois há outra Itabaiana no estado da Paraíba O nome está abaixo do livro, do arado e da tocha com o fogo da pátria. As letras estão em maiúscula e em posição côncava em relação aos outros elementos. A cor das letras é azul.

 

Quem nunca ouviu falar na terra da cebola, nos ceboleiros ou nos papa-cebolas? Essas expressões populares ligadas a Itabaiana atualmente constitui um patrimônio cultural imaterial de Sergipe sem o reconhecimento oficial. Apesar de não ter nenhum patrimônio cultural tombado, a urbe agrestina tem uma infinidade de bens culturais enriquecedores da cultura sergipana. Examinaremos, sob o ponto de vista histórico, um dos mais significativos desses bens: as expressões papa-cebolas e ceboleiros. As expressões em estudo são bastante utilizadas e difundidas em todo Estado de Sergipe e além-fronteiras, porém muito pouco se escreveu sobre os apelidos coletivos de Itabaiana. Merece especial destaque as lacônicas considerações do folclorista José de Carvalho Déda (1898-1868) e do pesquisador José Sebrão de Carvalho (1898-1973), reproduzidas por Vladimir de Souza Carvalho (1950- ). O artigo Aspectos antropológicos dos itabaianenses, do escritor Alberto Carvalho (1932-2002), não se ateve a expressão como marca identitária dos itabaianense. Privilegiou o escritor serrano em seu “tipo singular” itabaianense aspectos como o municipalismo (bairrismo), a sagacidade para os negócios, o fenótipo, o uso de apelidos, a paixão pelo jogo e a violência. Nosso objetivo é explicar brevemente as supostas origens, significados e mutações desses apelidos coletivos.

Primeiramente, é importante compreendermos o que vem a ser (ou o que pode ser) patrimônio cultural imaterial. Nas últimas décadas do século XX, o patrimônio cultural passou a se concebido para além dos bens materiais. Os estudiosos observaram que os bens culturais imateriais também são portadores de referência à memória e identidade cultural de um povo e, na maioria das vezes, representam muito mais determinadas comunidades que edificações de “pedra e cal”. A convenção para salvaguarda do patrimônio cultural imaterial (2003), realizada em Paris, definiu o patrimônio cultural imaterial como compreendendo os usos, representações, expressões, conhecimentos e técnicas, junto aos instrumentos, objetos, artefatos e espaços culturais que lhes são inerentes, que os grupos e em alguns casos, os indivíduos reconheçam como parte de seu patrimônio cultural. Este patrimônio cultural imaterial é recriado constantemente pelas comunidades, grupos e indivíduos em função de seu meio ambiente (entorno), sua interação com a natureza e sua história, gerando um sentido (sentimento) de identidade e continuidade, contribuindo para a formação da diversidade cultural.

Ao que tudo indica, a expressão papa-cebola remota os tempos imperiais. Em meados do século XIX, as principais feiras de Sergipe estavam concentradas na região do Cotinguiba. O itabaianense comercializava nas ricas regiões dos canaviais por não ter aqui um centro comercial estruturado. Os nossos antepassados eram comerciantes natos que abasteciam as outras vilas e cidades de Sergipe e Bahia com seus produtos. Não havia, como até nos dias atuais, uma só feira em Sergipe que não tivesse um itabaianense. A histórica e cultural cidade de Laranjeiras chamava atenção na segunda metade do século XIX pela pujança econômica e cultural. A feira de Laranjeiras, pela proximidade e importância, era para onde afluíam caravanas de itabaianenses. Estes dominavam a feira de tal forma que eram hostilizados pelos habitantes locais. Nessa época, a sociedade itabaianense era formada, sobretudo, por humildes comerciantes, lavradores e criadores. Homens rudes intelectualmente pela falta de instrução pública, porém espertos e aventureiros. Laranjeiras era o berço da intelectualidade sergipana, terra de João Ribeiro e de refinada elite açucocrata. Os gêneros alimentícios de primeira necessidade consumidos em Laranjeiras eram produzidos em Itabaiana. As férteis terras margeadas pelo Cotinguiba eram destinadas à plantação de cana para exportação. Eram os sítios serranos que abasteciam o comércio interno sergipano, daí o rótulo de cidade celeiro de Sergipe.

A forma que os laranjeirenses usaram para ferir o orgulho dos itabaianenses foi de denominá-los de papa-cebolas. Por que papa-cebolas? Itabaiana tinha produção razoável nas férteis encostas serranas da verdura acre de cheiro forte. Chamando os itabaianense de papa-cebolas, estavam chamando-os de fedorentos a cebola. E mais: de somíticos, pois mesmo conseguindo volumosas somas com a venda de gêneros alimentícios e outros objetos, os itabaianenses substituíam a carne (mais cara) por uma farinha acebolada produzida por suas esposas. O cheiro de cebola era perceptível de longe. Bastava um itabaianense colocar sua marmita para se ouvir os moleques gritarem: “papa-cebola, papa-cebola, papa-cebola!!!”.

Papa-cebola era um termo pejorativo. Inicialmente, a expressão não foi bem aceita. As chacotas, às vezes, acabava em revide de ofensas, brigas ou em episódios mais trágicos. Com o passar do tempo, o curioso apelido coletivo tornou-se tradicional e aceito pelos próprios itabaianenses. As novas gerações de papa-cebolas muitas vezes não entendiam a origem jocosa e o primitivo significado da alcunha; pensavam que era por serem trabalhadores e terem abundantes cebolais. Tinham alguns que se sentiam orgulhosos quando eram rotulados de papa-cebola.

José Sebrão de Carvalho, o famoso Sebrão Sobrinho (1898-1973), pesquisador itabaianense, o mais bairrista de todos os itabaianólogos, nos oferece outra versão para a origem da expressão. O velho pesquisador legou em suas pesquisas valiosas informações acerca do passado de sua terra natal, além de arrebanhar um volume documental impressionante sobre Itabaiana do século XVII ao XX. Sebrão descreveu, numa série de artigos para o Sergipe-jornal, diversos aspectos da vida social e cultural-histórica de Itabaiana dos anos 40. Ele acredita que o apelido nasceu em Itabaiana devido ao apelido imputado a Júlio Cesar Berenguer de Bitencourt, juiz municipal na época. Esse magistrado esteve em Itabaiana no ano de 1849 e fixou residência no sítio Pé da Serra, local de destacada produção de cebolas. Com isso, os amigos do juiz começaram a chamá-lo pelo apelido de papa-cebola. A expressão outrora pessoal tornou-se coletiva. A aceitação do apelido tempos depois, segundo Sebrão Sobrinho, dava-se pelo fato de pensarem os itabaianense que se tratava de um elogio a “superioridade de sua terra para a policultura”. Essa versão nos parece ter menos valor explicativo que a anterior, pensada por Carvalho Déda.

Acreditamos que de início não havia o termo ceboleiros, mas somente papa-cebolas. A utilização da expressão ceboleiros é bem provável que tenha sido iniciada na segunda metade do século passado, para servir de sinônimo do termo anterior que entrou em desuso ou, não é razoável supor, o fato de a expressão papa-cebola ser ofensiva contribuiu para sua substituição paulatina pelo seu termo mais corrente nos dias atuais, restando apenas a antiga expressão na memória dos mais idosos. Seja como for, as alcunhas coletivas papa-cebola e/ou ceboleiro eram tão pejorativas que muitos rapazes naturais de Itabaiana não conseguiam namorar com moças de famílias tradicionais de Aracaju e outras cidades de Sergipe, pois os pais davam sempre o conselho às filhas para não quererem itabaianenses, ou seja, os fedorentos a cebolas e tabaréus. Hoje, é até uma honra ter um genro ceboleiro, principalmente se for rico ou “cabra macho” trabalhador.

Nas últimas décadas, a palavra ceboleiro ganhou força dentro e fora de Itabaiana de modo inimaginável. A expressão ceboleiro foi tão integrada ao itabaianense que praticamente se tornou sinônimo de todos aqueles que nascem ou moram em Itabaiana. Se no passado seu uso era uma forma pejorativa, no presente a função é outra: tornou-se um elogio, uma forma de identificação dos itabaianenses, um patrimônio cultural. Contribuiu decisivamente para o fortalecimento da alcunha de terra da cebola a construção do Mercado de Hortifrutigranjeiros, nosso famoso Mercadão, em 1989. Nesse grande empório comercializam-se volumosas quantidades de cebolas produzidas em Itabaiana e, principalmente, provenientes de outros estados. Verdadeiras montanhas de cebolas são vistas todos os dias, dando um perfume especial à feira local.

O apelido adentrou de tal forma o imaginário social itabaianense que o mascote da Associação Olímpica de Itabaiana, principal clube de futebol da cidade e um dos mais tradicionais do Estado de Sergipe, é uma cebola vestida com o uniforme tricolorido de azul, vermelho e branco. Até mesmo o universo acadêmico sofreu a ação do acebolamento social. O Campus Universitário “Prof. Alberto Carvalho” (UFS) tem como mascote, escolhido em votação, uma cebola – o cebolufs.

Portanto, a palavra ceboleiro, usada no contexto de identificação do itabaianense, é um patrimônio cultural imaterial sergipano por ser uma expressão cultural que gera identidade e continuidade para a comunidade itabaianense e sergipana. Sergipe é um estado rico em apelidos coletivos. Nós, os ceboleiros, não somos caso único. Os lagartense receberam a pejorativa designação de papa-jaca, os simão-dienses de capa-bodes, os porto-folhenses de buraqueiros, os campo-britenses de lobisomens (ou labisomis) e etc. Era a rivalidade local que produzia esses apelidos coletivos que atualmente compõe uma rica e pouco estudada herança patrimonial. Todas essas expressões populares integram o patrimônio cultural sergipano e provam que a cultura sergipana também é rica fora do eixo litorâneo (Aracaju-Laranjeiras-São Cristóvão).

 

BIBLIOGRAFIA

 

CARVALHO, Alberto. Aspectos antropológicos do itabaianense. Vão livro. Aracaju: s/d, 1996. P. 75-80;

CARVALHO, Vladimir Souza. Apelidos em Itabaiana. Curitiba: Juruá, 1996;

_________. Vila de Santo Antonio de Itabaiana. Aracaju: J. Andrade, 2009;

DÉDA, José de Carvalho. Brefáias e Burundangas do Folclore Sergipano. Aracaju, Livraria Regina, 1967. P. 83-84;

IPHAN. Patrimônio Imaterial. Disponível em: www.iphan.gov.br/bens/P.%20Imaterial/imaterial.htm acessado em dez/2005;

LIMA JÚNIOR, F. A. de Carvalho. Monografia histórica do município de Itabaiana. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Aracaju, v.2, n.4, 1914. p.128-149;

SEBRÃO SOBRINHO. Cordial política da plutocrata terra papa-cebola. Sergipe-Jornal, Aracaju/SE, 26 jan. 1944, p.1. Transcrito em SEBRÃO, SOBRINHO. Fragmentos de histórias municipais e outras histórias. Org. Vladimir Souza Carvalho. Aracaju: Instituto Luciano Barreto Júnior, 2003. P. 253-256.

 

ILUSTRAÇÃO. Foto Verdureiro, da série “Ambulantes”, de Marc Ferrez (1843-1923). Foto feita em 1895. Acesso: Memória Viva – http://www.memoriaviva.com.br.

Wanderlei de Oliveira Menezes[1]

 

Assistimos uma preocupação mundial em preservar o patrimônio cultural da humanidade.  Leis de proteção visam a manutenção das características originais dos artefatos produzidos pelo homem.  Essa preocupação com o patrimônio tem gerado muitas pesquisas que aumentaram consideravelmente a produção de artigos, monografias, teses e livros sobre a temática. Esta pesquisa segue essa tendência.

No Brasil, dentre os monumentos históricos mais presentes temos as igrejas católicas. Os locais de culto, capelas e paróquias, no Brasil colonial e imperial tinham a função de aglutinar a vida urbana, como verdadeiros marcos da presença da colonização. Entre nós, a esmagadora maioria dos núcleos urbanos teve seu ponto inicial entorno de uma capela que evocava um santo, padroeiro local.

Apesar da grande importância histórica e do número considerável de igrejas sergipanas do período colonial, elas não receberam ainda estudos acerca de sua história. É escasso o número de estudos sobre nossas velhas igrejas. No setor, destacam-se os trabalhos inéditos do Professor Luiz Fernando Ribeiro Soutelo, membro do Conselho Estadual de Cultura e professor universitário, e do Professor Francisco José Alves, do Departamento de História da UFS. Soutelo (2003; 2008a; 2008b) tem realizado estudos acerca da história da Catedral de Nossa Senhora de Guadalupe (Estância); da Capela de Nossa Senhora do Rosário (Neópolis) e da Igreja Matriz de Santa Luzia (Santa Luzia do Itanhi). Já o professor Francisco José Alves escreveu sobre a igreja de Nossa Senhora do Rosário de Estância e também sobre a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Comandaroba, Laranjeiras (ALVES, 1988; 2009).

Neste campo marcado pela exiguidade, esta pesquisa volta-se para a história da Igreja Velha de Itabaiana, hoje em ruínas, situada no povoado de mesmo nome, na zona rural de Itabaiana, há 7 km do centro da sede municipal.

A história da Igreja Velha de Itabaiana, apesar de sua importância, ainda não mereceu um estudo mais exaustivo. Temos o silêncio ou considerações vagas e imprecisas. A clássica historiografia sergipana praticamente a ignora. Comendador Antonio José da Silva Travassos (1916) e o religioso Marcos Antonio de Souza (1878) nem sequer a cita. A igreja Velha é um dos mais antigos testemunhos das primeiras décadas de integração do território sergipano ao projeto colonial português. É um bem histórico de valor ainda desconhecido pelos pesquisadores locais.

Utilizamos o conceito de monumento para denominar as ruínas da Igreja Velha de Itabaiana. Para tanto é necessário citar o texto “Documento e Monumento”, de Jacques Le Goff (1998), em contraponto à obra Alegoria do Patrimônio, de Françoise Choay (2003). De acordo com Le Goff (1998), monumento é aquilo que pode ser evocado do passado. Choay (2003) oferece a mesma definição para monumento, porém o primeiro faz a evocação do passado, e o segundo o considera como lembrança. Em termos históricos, Le Goff (1998) quer demonstrar que o monumento é um vestígio humano de uma memória, e Choay (2003) considera o monumento como uma simples lembrança de uma determinada característica da sociedade.

Metodologicamente, buscamos o estabelecimento da cronologia do templo, elencando os principais fatos relacionados à edificação e a comunidade envolvente e tomando como base as fontes primárias. Resolvemos estudar sua história através de fases. São elas: fase da ereção e pleno uso (1620? – 1665); fase da disputa com a Irmandade das Almas (1665-1675); fase do desuso e arruinamento (1675-1914); fase da resignificação simbólica (1914 – aos dias atuais).

Escrever sobre a história da Igreja Velha é estudar uma história de silêncios, não ditos e lendas seculares ainda muito pouco conhecidas pelos sergipanos.

 

  1. 1.      Fase da ereção e pleno uso (1620? – 1665)

No final do século XVI, a área que atualmente convencionamos chamar de Itabaiana era ocupada por pequenos grupos indígenas, principalmente, locais próximas a Serra de Itabaiana e Rio Jacarecica. Por Itabaiana se situar distante do litoral, os indígenas de Itabaiana demoraram mais a entrar em contato com os “colonizadores” europeus. É bem provável que os primeiros europeus a vir à região de Itabaiana tenham sido os franceses. Seja como for, sabemos que durante os anos de 1586, as tropas de Luis de Brito com 150 soldados e 300 índios domesticados com apoio da casa da Torre deram combate aos nativos sergipanos aliado a franceses na Serra da Cajaíba (LEITE, 1945). De acordo com Carvalho (1973) a tradição consagrou a existência de Simão Dias Francês, personagem histórico fruto do amor de uma índia itabaianense com um soldado Francês. Ele teria sido o primeiro filho de Itabaiana. Em 1587, o sertanista Gabriel Soares de Souza (2010) destaca a serra de Itabaiana no seu escrito que posteriormente será denominado Tratado descritivo do Brasil em 1587.

O ano de 1590 é importante para a história de Sergipe, e, por conseguinte, de Itabaiana. As tropas comandadas por Cristóvão de Barros debelaram a resistência indígena sergipana e integraram o território sergipano de forma efetiva a colonização portuguesa. Nesse ano foi fundada a cidade de Sergipe Del Rey ou São Cristóvão, o primeiro núcleo efetivo de presença portuguesa em Sergipe. A partir daí foram concedidas inúmera sesmarias com o propósito de povoar e desenvolver atividades econômicas úteis a coroa portuguesa. As primeiras sesmarias de Itabaiana foram doadas entre 1600 a 1603. Porém, muito dos sesmeiros nem sequer pisaram na terra recebida. Merece destaque a sesmaria concedida aos jesuítas. É bem provável que tenham sido eles que contribuíram para a formação do arraial de Santo Antônio e de uma capela de mesmo nome.

Entre 1620 e 1640[3], é edificada a capela de Santo Antonio e deram um grande passo para a ocupação efetiva e duradoura da região próxima da serra de Itabaiana. Essa igreja é a mais distante do litoral sergipano durante todo o século XVII. Era o marco da ocupação portuguesa nos sertões coloniais. Surgia assim o Arraial de Santo Antonio com pequenas edificações nas proximidades do Rio Jacarecica. Os primeiros habitantes eram lavradores, curraleiros e garimpeiros.

Após esses pequenos progressos na ocupação da atual Itabaiana tivemos a presença dos holandeses da Companhia das Índias dentro do território sergipano causando estragos devido a guerra contra os luso-brasileiros radicados na Bahia. Os holandeses se estabelecem em Pernambuco e tomam o litoral do atual nordeste. Sergipe era a fronteira sul da dominação flamenga, um verdadeiro ponto de tensões e disputas.

Chama a atenção o valor dado pelos flamengos para a área denominada Itabaiana, chamada de Itapuama. No mapa da Capitania de Sergipe do livro de Barleus (1940), Itabaiana ganha destaque. Esse testemunho histórico é intitulado “Capitania de Sergipe com Itabaiana”. A região da serra de Itabaiana é minuciosamente descrita. Acreditamos que isso se deve ao interesse dos holandeses no gado da região e nas minas de prata. Uma expedição foi organizada, porém sem resultados (NUNES, 1989). O gado da região bem como os mais abastados proprietários fugiram para a Bahia. O que desmotivou os holandeses.

É de 1642, com o mapa do livro de Barleus, que temos o mais antigo testemunho histórico da existência da primitiva capela que dará nome à atual Igreja Velha: tratava-se da capela de Santo Antonio, e conforme o mapa localizava-se nas margens do Rio Jacarecica, próximo à casa do semi-lendário Simão Dias.

Expulsos os holandeses, era a hora de se retornar ao processo de colonização. Essa época é uma fase muito complicada para Sergipe. O medo da volta dos holandeses, a crise econômica depois da saída dos flamengos, a anarquia social, devastada por guerras, a reconstrução econômica, os altos impostos foram cobrados, quilombos. A essa situação de extrema exploração se rebelou os curraleiros de Itabaiana liderados por Simão Dias. Os curraleiros em 1655 invadiram São Cristóvão para protestar contra os abusos cometidos pela Bahia. O vigário Sebastião Pedroso de Gois, rico latifundiário e proprietário de engenhos, foi preso. É dessa primeira metade do século XVII que se credita a presença de franceses, holandeses e judeus em traços antropofísicos dos itabaianenses (BISPO, 2008).

Em 1658, a Capitania de Sergipe é dividida em distritos militares. Com isso, é criado o distrito militar de Itabaiana para combater a formação de quilombos e oferecer mais segurança a população que se estabelecia nas florescentes povoações.

            Nessa primeira metade do século XVII, a Capela de Santo Antônio era a única ermida religiosa da região de Itabaiana e núcleo aglutinador da povoação. Contudo, a partir de 1665, a capela passa a sofrer a ação dos interesses da Irmandade das Almas.

 

  1. 2.      Fase da disputa com a Irmandade das Almas (1665-1675)

Na segunda metade do século XVII, Itabaiana tinha duas florescentes povoações: o arraial de Santo Antonio e a Caatinga de Aires da Rocha. Em 1665 surge a Irmandade das Santas Almas do Fogo do Purgatório da Capela de Itabaiana[4]. Esta instituição adquiriu a posse do terreno conhecido por Caatinga de Aires da Rocha que pertencia ao vigário Sebastião Pedroso de Gois, na época vigário-geral de Sergipe e da Matriz de São Cristóvão, e foram os responsáveis pela edificação da Igreja Matriz de Santo Antonio e Almas de Itabaiana (NUNES, 1996).

Em 1675, foi comprado o terreno na Catinga de Aires da Rocha e no mesmo ano a igreja ganhou status de Matriz da Freguesia de Santo Antonio e Almas de Itabaiana. Com isso, o Santo Antonio foi transferido da Caofepela de Santo Antônio para a nova igreja. A Primitiva morada vai perdendo sua importância de tal modo que ficará abandonada e ganhará a denominação de Igreja Velha. O que aconteceu na realidade foi a mudança da sede da povoação. Casas e ruas foram sendo construídas próximo da nova igreja. E ai começa a história do abandono da primitiva capela de Santo Antonio.

 

  1. 3.      Fase do desuso e arruinamento (1675-1914)

Conta uma famosa lenda que o meio utilizado pelo Padre Sebastião Pedroso de Góis foi utilizar-se ele, ou pessoas a seu mando, da imagem de Santo Antonio da Igreja Velha. Retiravam escondido o Santo Antonio e o conduziam até a “Caatinga de Ayres da Rocha”, deixando-o num dos galhos da quixabeira, situada que estava ao lado direito do local onde hoje existe a Matriz. Mas, para os colonos do arraial de Santo Antonio era fácil descobrir o paradeiro do santo, já que os rastos da imagem, propositadamente, eram deixados bem claros para servir justamente de meio de descobrir onde o santo estava. A fuga verifica-se constantemente. Santo Antonio foi surpreendido na quixabeira, descansando lá na “Caatinga de Ayres da Rocha”, porque era ali que ele queria a sua igreja (CARVALHO, 2009, p.117-121).

Essa quixabeira é célebre, por ligar-se a uma lenda popular. Conta-se que S. Antonio colocado em um pobre edifício, que servia de casa de oração na vila de Itabaiana, fugia de noite, e vinha postar-se na primeira bifurcação do tronco desta quixabeira. Levavam-no em procissão para a capelinha; mas no dia seguinte, lá estava o Santo na quixabeira. Até que levantaram um templo mais decente, onde colocaram como o orago da freguesia, e o santo nunca mais fugiu.

A Igreja Velha, assim chamada para diferenciar-se da nova, foi desabando aos poucos, vencida pelo abandono e pela ação destruidora do tempo, de forma que, em meado do século XVIII já apresentava, com menos retoques, a mesma paisagem de ruínas de hoje. Tais ruínas é que permanecem de pé, fragmentando-se aos poucos. Da primitiva igreja se pode ainda deduzir o tamanho, pelo que resta da fachada principal e das paredes de lado e do fundo.

Grande impulso ganhou para o desenvolvimento da cidade a elevação à condição de vila pela portaria de 20 de outubro de 1697. Itabaiana se tornou uma das mais antigas vilas de Sergipe. Isso implicou o estabelecimento de toda uma estrutura burocrática (câmara de vereadores, cartório, ordenança, cadeia e etc.). A vila recebeu a denominação de Santo Antonio e Almas de Itabaiana, inspirada no nome da freguesia. Era gigantesca os limites da vila. Praticamente abrangia os atuais médio e alto sertão sergipano e todo agreste e parte da região da Cotinguiba, segundo Nunes (1996).  Esse ato administrativo selou a sorte do antigo arraial de Santo Antonio e da Igreja Velha.

 

  1. 4.      Fase da resignificação simbólica (1914 – aos dias atuais).

Abandonada e em desuso a Igreja Velha ruiu e no limiar do século passado estava em avançado estado de arruinamento. Deve-se aos historiadores a resignificação simbólica das ruínas da Igreja Velha. Foi Felisbelo Freire (1891) quem fez a primeira menção, porém apenas em uma breve referências às igrejas e capelas sergipanas da época da invasão holandesa. O mais antigo historiador sergipano a focar a Igreja Velha de Itabaiana foi o itabaianense Francisco Antonio de Carvalho Lima Júnior (1914). É dele a famosa e ainda bastante citada “Monographia Historica do Municipio de Itabayanna”, publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Nesse trabalho pioneiro de estudo do que hoje denominamos de histórias municipais, Lima Júnior ressalta o valor histórico da Igreja para a ocupação e formação do primeiro núcleo urbano que será, no futuro, a cidade de Itabaiana. Apesar da falta de documentos e imprecisões, Lima Júnior foi bastante feliz ao tentar explicar o papel da Igreja no processo de mudança da vila (primitivamente nas proximidades da Igreja Velha para a Catinga de Aires da Rocha, atual centro da cidade de Itabaiana, nas cercanias da Igreja Matriz). Ele utiliza como fonte a tradição oral, a lenda do Santo Antonio Fujão.

Lima Júnior fincou as bases para a leitura historiográfica dos autores seguintes. Nesse sentido, menor foram as contribuições dos historiadores serranos José Sebrão de Carvalho (2003), conhecido nos meios acadêmicos pelo nome Sebrão Sobrinho, e Maria Thétis Nunes (1996). Estes últimos apenas reproduziram o que escreveu Lima Júnior.

Na década de 70 do século passado, começa uma nova leva de pesquisas acerca do passado itabaianense. Para isso foi de vital importância a formação de um grupo pequeno de estudantes do Colégio Estadual Murilo Braga. No início da década, Vladimir Souza Carvalho (1950 –…), então estudante de Direito, publica Santas Almas de Itabaiana Grande, livro apologético e bairrista, porém de grande valor, pois, de forma sistemática, se vale de novas fontes documentais no estudo do passado itabaianense. Essa obra, referencial para os estudiosos da História de Itabaiana, apresenta um estudo mais aprofundado sobre as origens de Itabaiana. A Igreja Velha aparece na obra como sendo o núcleo primitivo da ocupação colonial em Itabaiana. Todavia, o autor se reduz a mencionar documentos sem explorá-los devidamente. Dentre esses citamos dois pela sua importância: a escritura de venda das terras da Catinga de Aires da Rocha à irmandade das Almas (1675) e uma carta do Vigário Francisco da Silva Lobo ao Rei de Portugal D. José I datada de 1761.

Mais recentemente, em 2009, Wanderlei Menezes (1983-…), licenciado em História pela UFS, publica, no informativo INFOCULT, o primeiro artigo sobre a história da Igreja Velha. No estudo, o autor lança hipóteses sobre o processo de abandono e arruinamento da Igreja. Mostra que o principal motivo para a desativação da Igreja Velha está relacionado aos interesses da Irmandade das Almas, fundada em 1665. O abandono da velha igreja deveu-se ao interesse dos irmãos da recém-criada irmandade em trazer para terras de sua propriedade o local de culto. Para o autor, a perda da importância da Igreja Velha e regiões circunvizinhas é muito mais que uma simples mudança de sede da povoação. Os agentes catalisadores desse processo foram os membros da Irmandade, primitivamente sob a evocação de São Miguel Arcanjo, o pároco da cidade de Sergipe Del Rey, Sebastião Pedroso de Gois, e os proprietários da antiga Caatinga de Aires da Rocha. Sendo assim, a explicação tradicional que explica a mudança como sendo uma pacífica escolha dos moradores das regiões adjacentes da Igreja Velha é insuficiente.  No novo local escolhido, a Irmandade erigiu uma Igreja tendo como orago Santo Antonio, o mesmo santo cultuado na Igreja Velha.

Em 2009, Vladimir de Souza Carvalho lança Vila de Santo Antonio de Itabaiana, a mais extensa obra sobre o passado colonial e imperial da outrora Vila de Santo Antonio e Almas de Itabaiana. Nesse trabalho, o autor é bastante minucioso sobre a importância da Igreja Velha, porém não se vale de novas fontes. Praticamente repete o que havia dito há quase quatro décadas atrás. A única novidade é a transcrição parcial do “Compromisso da Irmandade das Santas Almas do Fogo do Purgatório da Capela de Itabaiana”, datado de 1665.

 

Considerações finais

O monumento Ruínas da Igreja Velha é um bem cultural que marca a identidade cultural dos itabaianenses. É símbolo de um passado comum dos munícipes e representa as origens lendárias da cidade contada de geração a geração. Com isso, o monumento Ruínas da Igreja Velha de Itabaiana faz parte do patrimônio cultural dos itabaianenses, seja ele material (as paredes do templo, a paisagem e a imagem de Nosso Senhor da Cana Verde) ou imaterial (lendas de Simão Dias Francês, Santo Antonio fujão, crendices populares de lugar mal assombrado e tradição oral). Todavia, é de se considerar que uma das principais marcas do monumento é o topônimo do povoado. A Igreja Velha deu nome ao local onde está localizada, unindo assim sua história à da comunidade local.

Vê-se, pelo levantamento realizado, que um estudo mais documentado e compreensivo sobre a história da Igreja Velha poderá renovar a visão sobre a origem de Itabaiana. Trata-se de um tema de relevância, pois pouco se escreveu sobre os bens culturais sergipanos de modo geral e muito menos ainda sobre aqueles bens que ainda não foram reconhecidos oficialmente.   

Por fim, cabe mencionar as possibilidades de uso do monumento para a prática da educação patrimonial. Enquanto espaço de educação não formal, as ruínas podem possibilitar uma grande diversidade de experiências educacionais. A partir do contato com o monumento e seu entorno, os alunos serão estimulados a aprendizagens significativas, integrando conhecimentos de educação, patrimônio, memória, história, cultura e cidadania. Assim, a educação patrimonial cumprirá sua função de ser um instrumento de alfabetização cultural, que leva o indivíduo a ler o mundo que o cerca, compreender o universo sociocultural e da trajetória histórico-temporal em que está inserido (HORTA, 1999, p.6).

Referências


Fontes primárias

Carta do padre da Freguesia de Santo Antonio e Almas de Itabaiana Francisco da Silva Lobo de 12 de Setembro de 1761 ao Rei de Portugal D. José I. Arquivo Histórico Ultramarino. Lisboa.  Capitania de Sergipe. Caixa 05, doc. 415.

 CÕPROMISSO da Irmandade das Sanctas Almas do Fogo do Purgatorio cita na capella Ytabayana e feita na era de MDCLXV. Cópia xerográfica gentilmente cedida por José Augusto dos Santos;

 LIVRO de Tombo da Matriz de Santo Antonio e Almas de Itabaiana (1913-1939). Manuscrito. Arquivo da Paróquia de Santo Antonio e Almas de Itabaiana. Itabaiana, Livro 1.

 

Bibliografia

BARLEUS, Gaspar. Historia dos feitos recentemente praticados durante oito anos no Brasil e noutras partes sob o governo do ilustríssimo João Maurício Conde de Nassau, etc. 2 Ed. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1940;

CARVALHO, Vladimir Souza. Santas almas de Itabaiana Grande. Itabaiana: Edições O Serrano, 1973.

__________.Vila de Santo Antonio de Itabaiana. Aracaju: J. Andrade, 2009;

CHOAY, Françoise. Alegoria do patrimônio. São Paulo Editora: UNESP, 2003.

FREIRE, Felisbello. Historia de Sergipe: (1575 – 1855). Rio de Janeiro: Typographia Perseveranca, 1891. 425 p.

 HORTA, Maria de Lourdes Parreiras; GRUNBERG, Evelina; MONTEIRO, Adriane Queiroz. Guia básico de educação patrimonial. Brasília: Museu Imperial/IPHAN/MinC, 1999.

 LE GOFF, Jacques. A História Nova. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

 LEITE, Serafim. Sergipe Del Rey. História da Companhia de Jesus no Brasil. Rio de Janeiro: INL, 1945. Vol. 5. p. 316-327

 LIMA JÚNIOR, Francisco Antonio de Carvalho. Monographia Historica do Municipio de Itabayana. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Aracaju, vol. II, 1914. p. 128-149;

 MENEZES, Wanderlei. A velha igreja de Itabaiana. INFOCULT, Itabaiana, ano I, n. 1, 2009, p.2;

 NUNES, Maria Thetis. Sergipe Colonial I. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989;

 ________. Sergipe Colonial II. São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe, Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1996.

SEBRÃO, sobrinho. Fragmentos de histórias municipais e outras histórias. Aracaju: Instituto Luciano Barreto Junior, 2003. 433 p.

SOUSA, Gabriel Soares de. Tratado descritivo do Brasil em 1587. Fernanda Trindade Luciani (org.). São Paulo: Hedra, 2010. P.62

SOUTELO, Luiz Fernando Ribeiro. Histórico da Capela de Nossa Senhora do Rosário – Neópolis. Aracaju, 2008a. [trabalho inédito];

 ___________. Informações gerais sobre a Catedral de Nossa Senhora de Guadalupe (Estância). Aracaju, 2008b. [trabalho inédito];

 ___________. Informações sobre a Igreja Matriz de Santa Luzia (Santa Luzia do Itanhi). Aracaju, 2003. [trabalho inédito];

 SOUZA, Marcos Antonio de. Memoria sobre a capitania de Serzipe: sua fundação, população, produtos e melhoramentos de que e capaz. Aracaju: Jornal do Commercio, 1878. 53 p.

Vídeo

BISPO, José Almeida. Itabaiana: quatro séculos da História de um povo. 1 DVD, color, 53 min., NTSC 16:9, res. 1280×720. Episódio 1. Tempos de lendas e tesouros. 2008.

 


[1] Graduado e Bacharel em História, Historiador da Prefeitura Municipal de Itabaiana, membro efetivo do IHGSE.  E-mail: wanderleihistoriografopmi@gmail.com

[2] Professora Orientadora do curso de Especialização em Ensino de História. E-mail: solmessias@yahoo.com.br

[3] Não sabemos a data precisa da edificação da outrora Capela de Santo Antonio. Ao certo, temos a menção que durante a presença holandesa na Capitania de Sergipe (1637-1645) já havia a igreja, cujo orago era Santo Antonio.

[4] CÕPROMISSO da Irmandade das Sanctas Almas do Fogo do Purgatorio cita na capella Ytabayana e feita na era de MDCLXV. Cópia xerográfica gentilmente cedida por José Augusto dos Santos;

Art. 188 Compete ao (à) Historiógrafo:

Exercer, nas unidades e programas culturais do Município, atividades relacionadas com pesquisas historiográficas, preservação documental, produção de conhecimento ligado ao processo histórico e à defesa do patrimônio histórico-cultural, com as seguintes atribuições básicas:

I – prover a organização, manutenção, segurança e conservação do acervo histórico de Itabaiana;

II – estudar e classificar documentos de valor para a história do Município;

III – prestar informações e responder a consultas sobre assuntos históricos de Itabaiana;

IV – fazer preleções sobre assuntos históricos ou sobre determinados documentos de interesse de Itabaiana;

V- fazer pesquisas em publicações referentes a assuntos da história do Município;

VI – elaborar e publicar monografias de cunho histórico;

VII – organizar coleções de recortes de jornais e revistas de interesse histórico, para consultas e pesquisas;

VIII – orientar a pesquisa documental, bibliográfica, a elaboração de catálogos de acervo histórico, a reprodução e conservação de fontes históricas, por métodos modernos;

IX – localizar, arrolar, ler, estudar, criticar interna e externamente, analisar, transcrever e classificar documentos de valor para a história nos diversos setores e locais onde eles se encontrarem;

X – organizar exposições sobre fatos, documentos escritos e objetos relacionados à história de Itabaiana;

XI – executar outras tarefas, de mesma natureza e nível de dificuldade ou correlatas, determinadas pelo superior imediato.

Art. 189 São requisitos para provimento inicial do cargo público de Historiógrafo:

I – Concurso Público de provas;

II – Curso de Bacharelado em História;

III – Curso de “Iniciação ao Serviço Público” (a ser ministrado pela Prefeitura de Itabaiana aos classificados em Concurso Público quando de sua nomeação).

Art. 190 São condições gerais de exercício do cargo público de Historiógrafo:

I – carga horária semanal de trabalho de 40 horas;

II – horário de trabalho conforme estabelecido pela Administração Pública Municipal;

III – trabalho em unidades e programas culturais, operadas nas áreas urbana e rural;

IV – avaliação periódica de desempenho.

Introdução:

A preocupação com o patrimônio tem gerado muitas pesquisas. Aumentou consideravelmente a produção acadêmica sobre a temática. Esta trabalho segue esta tendência. Minha pesquisa volta-se para a história da Igreja Velha de Itabaiana, hoje em ruínas, situada no povoado de mesmo nome, na zona rural de Itabaiana, a 7 Km do centro da sede municipal. A capela de Santo Antonio foi construída na primeira metade do século XVII e desde 1761 já se encontrava em desuso e abandonada.

Métodos:

Utilizaremos documentos das mais variadas natureza (oficiais, impressos, manuscritos, mapas, depoimentos, bibliografia e etc) para configurar as principais etapas históricas da primitiva capela de Santo Antonio de Itabaiana desde a sua ereção até a atualidade, relacionando-as com o contexto envolvente.

Resultados e discussão:

As principais etapas da história do templo podem ser assim configuradas: fase da ereção e pleno uso (1620? – 1675); fase da disputa com a Irmandade das Almas (1665-1675); fase do desuso e arruinamento (1675-1914) e fase da resignificação simbólica (1914 – aos dias atuais);

Conclusões:

Apesar de não ser até agora um bem tombado, as ruínas da Igreja Velha são um espaço privilegiado para o historiador e o arqueólogo interessados em estudar o período colonial sergipano, em especial o primeiro século de colonização.

Fonte de Financiamento:

Secretaria Municipal da Cultura (Itabaiana/SE)

Palavras-chave: Igreja Velha, Patrimônio histórico-cultural, História de Itabaiana.